Levar o navio para dentro do porto não é tarefa do capitão. É do prático, profissional com salário de até R$ 130 mil por mês. As poucas vagas de prático são muito cobiçadas, e o último concurso virou um festival de denúncias. Uma delas trazida à redação do “Jornal da Globo” por um telespectador. A reportagem é de Vladimir Netto.
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O prático entra em cena numa pequena lancha, que encosta no navio na entrada do porto. O capitão, depois da longa viagem, não faz mais nada, apenas observa. Na cabine de comando, é o prático que dá ordens agora. Fica de olho no movimento do porto, na maré, no vento, verifica instrumentos, faz cálculos, passa orientações.
Aos poucos, ele vai movendo o enorme navio até que ele pare no cais sem nenhum arranhão. Concluído o trabalho, o prático recebe o pagamento e vai embora.
Manobrar um navio grande como esse não é fácil. É um trabalho que exige muita habilidade e um profundo conhecimento técnico. Mas paga bem. Em um porto movimentado como o do Rio de Janeiro, um prático pode ganhar até R$ 130 mil por mês.
E aí é que começa a briga. Não existe um curso ou uma faculdade privada para formar práticos. A única maneira de ingressar na carreira é passar em um concurso público organizado pela Marinha, que regulamenta a profissão.
O último concurso para aprendiz de prático aconteceu em setembro do ano passado, no Rio de Janeiro. Os aprovados fariam um estágio de dois anos em empresas de praticagem.